Exercício, imunidade e COVID-19

O Prof. Dr. Renato Alvarenga fez uma série de considerações a respeito a prática de exercício físico e sua provável interferência na atuação do sistema imunológico.

Nesse texto, procurei sintetizar suas considerações. Boa leitura.

De início precisamos entender como as células exterminadoras naturais ou NK (do inglês Natural Killer Cell) — um tipo de linfócitos citotóxicos necessários para o funcionamento do nosso sistema imune natural, funcionam.

São células que têm uma importante função no combate a infecções virais e diferem dos integrantes da imunidade adaptativa por reagirem de maneira rápida, em poucas horas, durante a entrada de um vírus no organismo, sendo uma linha rápida de defesa.

Hallabchi et al. (2020) observaram um aumento na contagem de dessas células após atividade física moderada, confirmando o efeito positivo do exercício físico para respostas do sistema imunológico contra infecções respiratórias virais.

Isso é muito bom, porém quando atividades são muito prolongadas ou excessivas são realizadas por indivívduos não adaptados a essa carga de treino, a atividade das NKs é desviada dedivo sua migração ara os sítios de microlesões causados pelo treinamento (Timmons, Tranopolsky e Bar-Or, 2006), reduzindo sua atuação principal no organizmo por algum tempo.

Já Peijie Chen e colaboradores (2020), da Xhanghai University of Sport, corroboram com Hallabachi, quando afirmam que existem claros benefícios para manutenção da prática regular de exercícios físicos por indivíduos saudáveis nesse momento.

A esse respeito, Chen cita os doutores Steven Blair e Ken Powell ao afirmarem que “alguma atividade física é melhor que nenhuma” e sugere realizar pelo menos 30 minutos de atividade física moderada em casa todos os dias ou 20 minutos de atividade mais intensa a cada dois dias.

A forma ideal, seria uma combinação de sessões, alternando a intensidade das cargas a cada dia, com exercícios que aumentam a força regularmente, mesmo que usando o peso corporal.

Os pesquisadores sugerem caminhar dentro de casa (se houver pouco espaço, corrida estacionária), levantar e carregar pesos moderados, realizar alternâncias de afastamento de membros inferiores com saltos, subir escadas, sentar e levantar, agachamentos variados, exercícios para o CORE e flexões.

Com base nessas informações, podemos indicar algumas precauções e sugestões quanto a prática de exercícios de força em casa.

Mais do que nunca, recuperar a energia celular e adaptar tranquilamente sem excessos, é o mais importante, pois quando isso não é feito adequadamente aumenta o processo inflamatório, desviando suas NK para o que você não quer neste momento, as microlesões induzidas pelo esforço.

Deixe suas células Natural Killers (NK) em alta atividade para lutar contra o vírus que está ai, e não para socorrer as microlesões de uma sobrecarga muscular excessiva e localizada.

Orientações:

  • Evite fazer exercícios muito diferentes do que faz, sempre que possível use os que já realizava rotineiramente.
  • Se fizer algum exercício novo, realize inicialmente poucas repetições para ir dominando a mecânica do movimento, fazendo o assincronismo entre as unidades motoras funcionarem sem comprometimentos estruturais.
  • Aumente a intensidade gradativamente. Não é porque está com muito tempo que você agora pode compensar tudo que não fez antes.
  • Não é hora de realizar controle calórico extremos, associados a volumes elevados de exercícios, pois você precisa levar os tijolinhos de aminoácidos para os músculos construirem suas paredes de proteínas, sem estresse.
  • Seu sistema imunológico tem que estar bem, sem overtraining, com nível adequado de cortisol circulatório.
  • Exercícios multiarticulares (burppees, agachamentos, flexões, etc.) possibilitam maior alternância de fibras, desde que não use a falha concêntrica como meta de repetições.
  • Se tiver tempo, dilua as séries durante o dia, não sobrecarregue com um treino de alto volume e intensidade, gerando mais microlessões.

Lembre-se, de que há momentos na vida que treinamos o corpo para comer nossa própria gordura. Há momentos em que meta é nos tornarmos mais fortes e, há momentos, como este, que treinar nosso sistema imunológico é mais importante.

Referências:

Publicado por Cadu Perruci Faria

Professor de Educação Física, promotor do movimento consciente e da corrida natural.

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