Correndo uma maratona acima de 21km/h

nakashi from Chofu, Tokyo, JAPAN, CC BY-SA 2.0 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0, via Wikimedia Commons

Não é de hoje que atletas de alto-rendimento correndo os 42,195 km de uma maratona encantam, não só a sociedade, mas pesquisadores e cientistas esportivos.

Tanto a fisiologia quanto a performance dessa elite já eram estudadas na década de 1970 por Costill, Pollock entre outros.

Em 1991, Joyner relatou em seu estudo sobre a base de fatores fisiológicos para uma ótima performance na maratona que tanto o VO2 Máximo, quanto o limiar de Lactato e a economia de corrida seriam partes de uma equação para um maratonista correr a distância abaixo de 2 horas.

Recentemente, Jones et al. (2020) publicaram os resultados decorrentes das avaliações feitas em 16 atletas de nível mundial durante o Breakin 2 da Nike em um artigo para o Journal of Applied Physiology no qual adicionam mais um fator a essa equação: a resistência a fadiga, ou melhor dizendo, a capacidade de continuar a correr em altas velocidades mesmo após a “parede” sem requerer um maior consumo de oxigênio.

Interessante que o grupo de atletas investigados apresentou um limiar de Lactato um pouco mais acima do que foi apresentado por Joyner levando a conclusão de que poderiam correr uma maratona abaixo de 2 horas com um VO2 Máximo elevado, mais não necessariamente, muito elevado.

Entre os 16 atletas de nível internacional, estavam o queniano Eliud Kipchoge – o único a correr a distância abaixo de 2 horas, o etíope Lelisa Desisa – bicampeão da Maratona de Boston e o recordista atual da meia-maratona – o iritreense Zersenay Tadese.

A média do grupo era de 29 anos de idade, 1,72 metros de altura, 58,9 kg de peso corporal com IMC de 19.9 e 7,9% do peso em gordura corporal, além de uma FC Máxima de 190 BPM.

Além disso, o tempo médio para meia-maratona era de 01:04h e 02:08:40 para maratona respectivamente, enquanto a média do VO2 Máximo foi de 71 ml/kg/min . Todos os 16 atletas utilizavam 88 por cento do seu máximo para correr num pace de uma maratona Sub2.

Já a média do comprimento da passada era exatamente equivalente a média da altura e a grande maioria corria sem usar o retropé com mais frequência.

Um outro dado importante, foi que os atletas participantes apresentaram um impulso vertical 18% menor de que outros maratonistas de nível e o tempo de contato com o pé com o solo – 0.16 segundos, similar aos achados entre outros atletas de elite (0.18 segundos naqueles que sustentam uma velocidade de 20,9km/h) que variou inversamente a economia de corrida sugerindo que tanto o ganho de aceleração horizontal quanto o tempo de contato com o solo poderiam contribuir positivamente com essa última.

Mas o que isso tudo quer dizer?

Assim como Billat (1999) havia afirmado em seu artigo, maratonistas de alto-desempenho a nível internacional realizam muito mais sessões de treino intervalados mais intensos de modo a sustentar uma maior velocidade ao longo de todo o percurso da prova do que outros maratonistas.

Um outro ponto levantado seria a hipótese de uma herança genética que garantiria a performance desses e de outros que ainda virão, quando aplicadas as metodologias de treinamento levando em consideração os pontos observados.

Certo é que não é só de treino longo e extensivo que um maratonista vencedor é feito.

Link para matéria publicada na Podium Runner: Burfoot, A. Breaking New Study Reveals Physiology of 16 Sub-2:09 Marathon Runners

Link para a postagem aqui no blog: Modelos de treinamento intervalado propostos por Billat

Referências:

Publicado por Cadu Perruci Faria

Professor de Educação Física, promotor do movimento consciente e da corrida natural.

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